jueves, 22 de octubre de 2009


O mundo do choro é o tema do filme Brasileirinho, do finlandês Mika Kaurismäki. É a alma do choro capturada na tela do cinema. O filme traz a música como sua estrela maior, o que garante que agradará tanto os fãs de choro, quanto qualquer um que goste de boa música.
O interessante da abordagem do filme é que mostra as mais diferentes facetas do choro. Vê-se a diversidade de estilos, de líricas valsas à sacolejante gafieira. Uma música do instrumentista dedicado e virtuoso, mas que mantém a informalidade das reuniões de amigos das rodas. Está lá o prazer de os músícos tocarem juntos, todos em comunhão. Encontros onde o virtuosismo não ofusca o aspecto coletivo, em que o solista tem que saber tocar com o resto do grupo. Mostra-se a reverência pela tradição e por mestres como Pixinguinha, Paulo Moura e Joel Nascimento, e também a renovação com a nova geração que desponta. Vemos uma música nacional, interpretada por artistas cariocas, baianos, gaúchos e brasilienses. O choro dançante que está sendo recuperado pelas novas gerações, com a garotada saindo de noite para dançar música instrumental. O choro aparece como a grande escola dos instrumentistas brasileiras, influenciando todos nossos principais músicos, de Villa-Lobos a Tom Jobim.

O filme não chega a ter muita história. É um bem costurado passeio pelo mundo do choro e por lugares bacanas do Rio de Janeiro. O Trio Madeira Brasil é o anfitrião. Eles estão organizando um grande encontro de chorões para comemorar o Dia do Choro no Teatro Municipal de Niterói. Depoimentos pontuam o filme recheado de maravilhosas cenas musicais. É divertido ver o Joel Nascimento no Instituto Médico Legal relembrando o tempo que trabalhou lá, Marcello Gonçalves e Yamandú Costa se encontrando na manicure, a conversa dos pandeiristas Jorginho do Pandeiro, Marcos Suzano e Celsinho Silva, a garotada nas aulas da Escola Portátil de Música, Jorginho relembrando a primeira vez que tocou profissionalmente e a sincera admiração do jovem trombonista Everson Moraes por Zé da Velha. Em alguns momentos, especialmente quando entra a narração, chega a ser didático.

Belas cenas musicais desfilam pelo filme. O Trio Madeira Brasil, formado por Ronaldo do Bandolim, o violonista Zé Paulo Becker e o sete cordas Marcelo Gonçalves, abre tocando Santa Morena (Jacob do Bandolim). Yamandú Costa toca João Pernambuco e Ernesto Nazareth. Zezé Gonzaga interpreta Falando de Amor (Tom Jobim). Teresa Cristina e Pedro Miranda na Comuna do Semente cantam Calo de Estimação (Zé da Zilda e Zé Tadeu). Guinga toca e canta sua Senhorinha. Zé da Velha e Silvério Pontes fazem ventar com O Bom Filho à Casa Torna (Bonfiglio de Oliveira). Carlinhos Leite toca Dilermando Reis com Yamandú, que depois toca Carinhoso (Pixinguinha e João de Barro) acompanhado do coro da platéia. Paulo Moura com uma super banda bota a Estudantina para dançar. Os baianos Edson 7 Cordas, Fred Dantas (trombone) e Joatan Nascimento (trompete) quebram tudo no Centro do Rio. Ainda passam pelo filme Joel Nascimento, Mauricio Carrilho, Hamilton de Holanda, Henrique Cazes, os Garotos de Cordeiro, Ademilde Fonseca, Luciana Rabello, Alexandre Maionese, Rogerinho 7 Cordas, Camunguelo e muitos outros. Tudo com um som de primeiríssima qualidade e gravado ao vivo. A direção musical ficou por conta de Marcello Gonçalves, do Trio Madeira.


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