lunes, 14 de septiembre de 2009

ROMANCE



Em seu novo filme, "Romance", o diretor Guel Arraes ("O Auto da Compadecida", "Lisbela e o Prisioneiro") faz um ensaio sobre a representação dramatúrgica do amor, recheado de ironias aos cacoetes da TV e do cinema brasileiros.

A platéia que lotou o Cine Palácio, no centro do Rio, para ver "Romance", riu ruidosamente de personagens como Orlando (Vladimir Brichta). Ele é um ator que ambiciona um papel num especial de TV a ser rodado no Nordeste, mas descobre que os testes serão restritos a não-atores da região --expediente que é voga no cinema nacional recente.

"Passei anos da minha vida me formando como ator e vou perder a melhor chance que tive até agora porque sou ator", conclui Orlando, que decide, então, fingir-se de sertanejo, para se submeter ao teste.

A escalação de Orlando para o papel termina acrescentando mais um vértice à relação do casal de protagonistas, formado pela atriz Ana (Letícia Sabatella) e pelo ator e diretor Pedro (Wagner Moura). Os dois se apaixonam durante uma montagem teatral de "Tristão e Isolda", matriz das narrativas do amor romântico.

O desempenho de Ana na peça chama a atenção de Danilo, diretor geral de uma emissora de TV cuja logomarca é prateada e esférica. Danilo é interpretado por José Wilker, com entonação, gestual e tiradas sarcásticas que remetem ao diretor Daniel Filho.

Alçada ao estrelato na novela, Ana vê sua relação com Pedro entrar em crise. Ele despreza a audiência de TV. Prefere a atenção atenta do restrito público de teatro a um espectador "que está me vendo por acaso, entre dois anúncios de detergente".

É uma escolha que a pragmática produtora Fernanda, vivida por uma Andréa Beltrão decalcada de Paula Lavigne, que produziu "Romance", é incapaz de compreender.

"Por que representar para 300 pessoas, se você pode representar para 30 milhões?" é uma das falas de Fernanda.


No hay comentarios:

Publicar un comentario